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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Resenha: A resposta

Autor: Kathryn Stockett
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2011
Classificação: (5/5)
Onde Comprar: Submarino - Saraiva


Sinopse:Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA. 
Eugenia Skeeter Phelan acabou de se graduar na faculdade e está ansiosa para tornar-se escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Porém, o único emprego que consegue é como colunista de dicas domésticas do jornal local. É assim que ela se aproxima de Aibellen, a empregada de uma de suas amigas. Em contanto com ela, Skeeter começa a se lembrar da negra que a criou e, aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, tem uma ideia perigosa: escrever um livro em que empregadas domésticas negras relatam o seu relacionamento com patroas brancas. "

Anos sessenta, Jackson, Mississipi. Adentramos em um período particularmente difícil aos negros, a segregação racial era de um nível extremo. Havia escolas, igrejas, hospitais, ônibus exclusivos para brancos, e outros para os negros, que recebiam bem menos que o salário mínimo, eram mortos, agredidos, humilhados diariamente sem que ninguém fizesse algo. O medo era tão grande, que os calava, mesmo vivendo em condições tão miseráveis. Tudo isso era visto de certa forma, como natural, ignorado. O Movimento dos direitos civis dava seus primeiros passos  mas a realidade era dura: os EUA era o inferno para qualquer pessoa de cor. Diante disso, conhecemos Aibileen e Minny, duas amigas, empregadas domésticas negras, vítimas do racismo que tentam sobreviver em meio a patrões brancos, educando suas crianças, atendendo seus caprichos. E também há Skeeter, uma jovem jornalista branca que acaba tendo a perigosa ideia de escrever um livro, relatos sobre a vida das empregadas domésticas da cidade, e conta com a ajuda de Aibileen e Minny, empregadas de suas amigas para a missão. Um desafio, que terá enfrentar vários obstáculos, inclusive a odiável Hillary e pretende abalar o pensamento de Jackson, assim como pode abalar a vidas das envolvidas nessa loucura. Tendo consequências catastróficas. Mas, como se acovardar diante de tanta injustiça?

A leitura de A resposta foi de certa forma incrivelmente doce e ao mesmo tempo, amarga. Como assim? Simples. O livro é a perfeita harmonia entre um enredo forte, marcante, polêmico e uma narrativa sutil, leve, com traços cômicos e personagens encantadores. O resultado da mistura de elementos tão distintos é brilhante. A história em si não é  tão inovadora assim. O que mais cativa com certeza é a carga emocional, a tensão, o medo, diante de uma atitude tão ousada como lançar um livro, revelando abertamente a vida das empregadas e as suas patroas, que provavelmente leriam o livro em qual estão diretamente presentes, numa época em que simplesmente usar o banheiro de um branco era sinônimo de surra, morte.

É uma leitura rápida, um tijolão que dá para ler sem esforço algum em poucos dias. O melhor do livro a meu ver sãos os personagens, a narrativa. Cada capítulo é narrado por Minny, Aibileen ou Skeeter. A partir daí observamos claramente suas personalidades e diferenças. Aibileen é uma jovem senhora, sábia, paciente, doce. Talento com crianças. Já Minny é explosiva, geniosa, sem papas na língua, do tipo que não leva desaforos para casa, cozinheira de mão cheia. Skeeter foi criada nos moldes de qualquer outra família branca, ou seja, preconceituosa, solteirona, para lá de desengonçada no início não notamos grande diferença entre ela e suas amigas, mas ao longo do livro vamos vendo claramente a mudança, sua mente se abrindo, novos conceitos sendo firmados. 

Os capítulos, a narrativa de Minny e Aibileen são marcados por expressões como " tou " " tava " mas gente, são pessoas simples, super acertadas essas variações. E em geral seus capítulos transmitem basicamente isso, simplicidade, inocência, franqueza, com uma pitada de humor inclusa. É como ler uma história contada por aquela sua tia, sua avó ou vizinha amiga. Uma delicinha de narrativa, ágil, tocante, simples, bem humorada ao mesmo tempo que narra cenas fortes e delicadas. Genial. Eu só gostaria que Celia Foote tivesse maior espaço na trama, uma personagem intrigante, bem construída que poderia ter abrilhantado ainda mais o livro.

A ala de Hilly e suas puxa saco é outra parcela interessante do livro. A vilãzinha é bem caricata, com ares cômicos, alienada, absurdamente fútil, lidera uma legião de mulheres tão vazias e deprimentes quanto a própria que se inspiram nela. É muito legal a crítica que está presenta nas entrelinhas, á população branca medíocre de Jackson. Alucinada em status e aparências. Os homens só sabem agredir negros e suas mulheres, quando não estão discutindo banalidades, vestidos, festas, fofocas, estão desfazendo de suas empregadas. Por mais Hillary seja cruel e fria não consegui sentir mais do que dó de sua pessoa. Cega por sua ignorância, presa em seu pensamento pequeno. No fim, os doentes não são os negros, diferentemente do que os brancos pensam. Eles é que são a doença, com suas vidinhas inundadas de futilidade, seu pensamento deprimente e não os negros, trabalhadores, que tanto lutam para sobreviver em meio a seus delírios idiotas.

A resposta foi um experiência incrível. Tocante, simples, melancólico, dramático e ainda assim leve e bem humorado. Com personagens marcantes e admiráveis, o livro fala de um tema incomodo e atemporal como o racismo de forma sensível, sutil esbanjando realidade. Como já disse no post anterior, um livro para ler, refletir, tirar lições, rir, chorar, aprender história ( porque não? ) e muito mais. Vem falar de amizade, preconceitos variados, injustiças, sobre coragem,  em um mundo que tantos querem a mudança mas poucos tem a coragem de ser a diferença

Observação: O livro me passou o tempo todo aquela sensação de filme americano antigo, aquele climinha gostoso, adorei! Não deixem de assistir Histórias Cruzadas, inspirado no filme que foi até indicado ao Oscar!

3 comentários:

  1. Resenha lindaaaaaaaaaa Geo
    Eu nem tinha muita vontade de ler A resposta porque achava que era um livro meio cru, mas que bom que a forma que ele é narrado é doce.
    Quando vê-lo por um precinho legal vou levar :D
    Beijo!!
    Brenda Lorrainy
    cataventodeideias

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    Respostas
    1. Não é bem seu estilo de livro mas acho que tu vai gostar! A forma como é narrado é tão simples, doce e bem humorada, que encanta!

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  2. Resenha mais do que tocante, sincera e opinativa.. de uma forma que faz a gente querer ler o livro e ao mesmo tempo não, so que com aquela vontade curiosa de sentir todos os sentimentos que o livro causa... bah parece ser o tipo de livro que gosto muito, além de ter uma capa bem interessante....
    gostei demais, vai pra lista.
    http://ofantasticomundodaarte.blogspot.com

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